quinta-feira, 15 de março de 2018

Music



Music expresses what can´t be said but it's impossible to silence.

By Victor Hugo

Saudade


Saudade é
Querer gritar
Para derrubar a muralha
Que nos separa.

ALVES, Jorge Carreira (1997)
Daqui o Mar. Leiria : Diferença (p.55)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

When Tomorrow Starts Without Me

When tomorrow starts without me,
and I’m not there to see,
If the sun should rise and find your eyes,
all filled with tears for me,
I wish so much you wouldn’t cry
the way you did today,
while thinking of the many things,
we didn’t get to say.

I know how much you love me,
as much as I love you...
And each time that you think of me,
I know you’ll miss me too...

But when tomorrow starts without me,
please try to understand...
an angel came and called my name
and took me by the hand,
it seemed my place was ready,
in heaven far above
and that I’d have to leave behind
all those I dearly love.

But as I turned to walk away,
a tear fell from my eye,
for all my life, I’d always thought I didn’t want to die
I had so much to live for,
so much yet to do,
it seemed almost impossible that I was leaving you.
I thought of all the yesterdays, the good ones and the bad...
I thought of all the love we shared
and how much fun we had...
If I could relive yesterday, just even for a while,
I’d say goodbye,
then kiss you ‘till I saw tha special smile...

But then I fully realized that this could never be,
for emptiness and memories,
would take the place of me.
And when I thought of those things,
I might miss come tomorrow,
I thought of you, and when I did,
my heart was filled with sorrow...
But when I walked through Heaven’s Gates,
I felt so much at home.
When God looked down and smiled at me,
from his great golden throne,
He said,
“This is Eternity and all I’ve promised you.
Today your life on Earth is past, but here it starts a new.
I promise no tomorrow, but today will always last,
and since each day is the same day
there’s no longing for the past...
But you have been so faithful,
so trusting and so true,
though there were times you did some things,
you shouldn’t do...
But you have been forgiven,
and now at last you’re free,
so come and take my hand,
and share my life with me.”

So when tomorrow starts without me,
don’t think we’re far apart,
for every time you think of me,
I’ll be right there
in your Heart…


Written by
Nekia Thomson (From: Inside My Own Head)





domingo, 28 de maio de 2017

A tua história

Capítulo 1

Ao olhar para a paisagem, com o cotovelo pousado na porta do carro e a mão a apoiar a cabeça, pensava no que haveria de fazer quando chegasse a casa da avó Elsa e do avô Luís, na aldeia do Porto da Raiva. Talvez falasse com a avó acerca dos meus problemas na escola e depois me sentasse com o avô por um bocado a ver programas idiotas, mas cómicos na televisão francesa. A seguir iria ajudar a avó a fazer uns deliciosos bolos de bacalhau, como só nós sabemos, ou talvez sentar-me no terraço a ver a paisagem que nunca mudava. Uma montanha imponente do lado esquerdo, com algumas casas no topo, e repletas de eucaliptos, outras montanhas se lhe seguem e no seu sopé passa uma longa e entediante estrada. À esquerda da tal estrada, mais abaixo, passa outra estrada, esta menos importante, menos usada,  ainda mais para a esquerda, existe ainda outra, de terra batida e lá ao lado, como um diamante entre o lixo e a morbidez, existe um lindo rio que rodeia a coroa daquele perpétua paisagem..... uma montanha. Parece um bocado idiota, talvez, achá-la a coroa seja do que for, mais sei que se ela ali não estivesse eu não seria a mesma, pois adoro não fazer a mínima ideia do que ela esconde debaixo de toda aquela folhagem. Nunca lá fui. E não pretendo ir e poder continuar a acreditar que há magia naquele lugar, que ela não está ali só por acaso.













PS: Para quem quer que leia isto, este é o primeiro capítulo desta história, haverá mais. E aproveito já para dizer que esta história é baseada na realidade e é dedicada à minha avó.

Um poema

Peguei na caneta,
Escrever....?
tentei,
mas tenho a alma apagada, vazia.
Pousei a caneta,
encerrei os portões do meu ser,
inspirei as lembranças
e na escuridão, uma luz;
Uma luz pura e frágil
que se desenvolve calmamente,
e forma um sol;
Ilumina o rosto de uma criança,
ilumina uma manhã de chuva,
dá conforto a um velho triste.
Um estremecer,
um movimento, que flui, suave;
Palavras,
versos,
um poema.

Volta

Pequena lágrima....
brilhante fruto das minhas mágoas,
sangue de um coração despedaçado;
Seria uma mentira, um adeus para sempre, uma ilusão,
pequena lágrima, que escorres entre as outras, porque te vais?
Silenciosa, solitária, afastas-te devagarinho.
No abismo suspendes-te brevemente,
como se te fosses despedir;
Mas, para mim, só tens o silêncio tortuoso.
Deixas-te ir e eu deixo que vás,
sem teres como voltar.
Vais sem nunca saberes
que naquelas noites frias e amargas
quero-te, desejo-te
porque quando o meu coração sangra
levas a dor, o ódio, o desespero.
és o meu consolo.
Volta....

sábado, 6 de junho de 2015

Viagens e transportes de 2050

Escrevo isto para os meus avós.
Quero que saibam o que fizemos ao nosso mundo, como o mudámos para sempre e como me arrependo de ter contribuído para isso. Se achavam que estávamos mal quando vocês cá estavam, deviam ver como estamos agora! Tenho cinquenta anos e em criança achava que uma grande mudança não faria mal a ninguém; enganei-me! A mudança deu-se, mas não gosto do que vejo, pois é tudo demasiado diferente.
Ora bem, por onde começar?! E que tal contar-vos aquilo que mais me choca?! Sim, parece-me uma boa ideia. Vou falar-vos dos novos transportes, de como viajamos por estes dias. Primeiro que tudo uma pergunta. Lembram-se de andar a pé, de dar grandes passeios pela floresta, à beira mar? Pois isso acabou há uns três ou quatro anos. Agora não caminhamos, temos foguetes nos sapatos e, acreditem, ninguém, e repito, ninguém, com menos de trinta anos, abdica deles. É simplesmente absurdo, completamente antinatural a meu ver.
Carros. Tanto que tínhamos de saber para conduzir um carro, não era? Agora, a única complicação é saber para onde irmos, porque em relação ao carro é só inserir os dados numa maquineta estranha e eles levam-nos a todo o lado e estacionam sozinhos, sem precisarmos de mexer um músculo. Fantástico, não é?! Podemos embebedar-nos à vontade e ir “conduzir” sem corrermos o risco de nos espatifarmos contra os outros carros, as paredes, os passeios ou as árvores.
Ah!, quase me esquecia, o petróleo acabou e agora os transportes são todos movidos a urânio, todos sem exceção. Já estão a ver o quão saudável isto é, não estão? Pois, mas é mesmo assim. Só há uma coisa boa nisto do urânio: acelerou, e muito, os transportes. Por exemplo, para ir de Portugal a Inglaterra de avião em vez de duas horas agora só demoramos uma.
Por falar em aviões, imensas pessoas perderam os seus empregos como pilotos, tendo sido substituídos por robôs, todos programados uma, duas horas antes dos voos. Novamente apenas vejo uma coisa boa nisto, há menos acidentes, porque os robôs não têm instinto suicida, nem problemas mentais. Só que, como é óbvio, nenhum robô substitui uma vida humana, nem mesmo das pessoas com instinto suicida ou problemas mentais, que essas são precisas para dar emprego a outros.
Quanto a transportes pesados só me falta falar dos autocarros. Esses estão duas vezes maiores e levam duas vezes mais pessoas, mas mesmo com todo este peso estão mais rápidos. E a que é que devemos esta rapidez? Ao urânio. Céus, quem me cá dera o nosso rico petróleo, que, apesar de ser menos eficiente, é menos poluente!
Passando ao veículo mais leve que temos, as bicicletas, estão completamente diferentes. Têm todas motor, temos de ter uma autorização, estilo carta de condução, que tem de estar sempre em dia e só as pessoas com mais de dez anos é que podem andar de bicicleta. É tudo tão injusto! Quando eu era miúda uma das coisas por que mais ansiava era ouvir o meu pai a perguntar se eu e os meus irmão queríamos ir dar uma volta de bicicleta. Ficávamos entusiasmados e felizes; era mesmo fantástico.
Enfim. Bom, hoje em dia as pessoas, como lhes disse, já não sabem o que é andar a pé, o que é pedalar numa boa bicicleta a toda a velocidade, o que é o entusiasmo de pegar pela primeira vez no nosso próprio carro, sozinhos e conduzir verdadeiramente, sem destino e sem horas para chegar. Parece que já ninguém se lembra de como vocês e tantos outros lutaram por um futuro melhor para nós e como, depois de vocês partirem, estragámos tudo, como nos mudámos a nós mesmos sem darmos conta e como estamos irremediavelmente perdidos no nosso erro. Será que algum dia, num futuro longínquo, os nossos filhos nos poderão perdoar pelo que fizemos?