segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Momento de paz

Acordei na minha cama dura e de lençóis coçados, com os pés frios e de mau humor.
“Às vezes pergunto-me porque me meti eu nisto? Ela tem pouco dinheiro (ou nenhum) e cá estou eu feita parva a brincar às donas de casa. E ainda quer que lhe chame “Senhora” ou “Madame”. Que bonito....” pensei enquanto me arranjava para o dia num vestido mais velho que o século.
Suspirei. “Bem agora não há nada a fazer a não ser despachar o pequeno almoço deles e começar as tarefas do dia...”.
Após preparar o pequeno almoço para a Senhora e para o Menino, pu-lo na bandeja e encaminhei-me para o quarto.
Ao abrir a porta fui saudada por uma visão de pura beleza.
A Senhora dormia de corpo nu meio coberto pelo lençol de seda fina. Os cabelos cor de fogo espalhados desordeiramente pela almofada à sua volta; o rosto de porcelana sereno, doce e corado do sono.
Dormindo qual anjo nas nuvens estava o Menino deitado no peito da mãe, também ele nu e de porcelana. Os cabelos espessos, encaracolados e negros como a noite a enquadrando atabalhoadamente o seu rosto de criança.
Sorri.
Que mais podia eu fazer? Apesar de tudo eles eram especiais, de uma forma profundamente cativante.
A má disposição foi toda levada pela brisa suave que entrava pela janela entreaberta, perante aquela obra prima.
Senti-me em paz....
Devo admitir, apesar de as condições não terem sido as melhores e de muitas manhãs terem sido tão deprimentes como aquela começou por ser, nunca aquela imagem se desvaneceu da minha memória. E penso agora, no fim, que é talvez a memória mais tranquila que tenho.
Sinto-me em paz....
Sorriu....
E devagarinho o mundo desvanece-se perante os meus olhos cansados após um último suspiro....


domingo, 18 de março de 2018

Indomável

Uma vastidão de descobertas,
Arco-íris sem fim,
Turbilhão de aventuras num coração harmonioso.
Melodia que paira no vento.
Pérola preciosa sob um céu de mil maravilhas,
Lembranças de um tempo passado,
Um segredo bem guardado.
Luz que brilha suave, pura
nos olhos de uma criança.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Music



Music expresses what can´t be said but it's impossible to silence.

By Victor Hugo

Saudade


Saudade é
Querer gritar
Para derrubar a muralha
Que nos separa.

ALVES, Jorge Carreira (1997)
Daqui o Mar. Leiria : Diferença (p.55)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

When Tomorrow Starts Without Me

When tomorrow starts without me,
and I’m not there to see,
If the sun should rise and find your eyes,
all filled with tears for me,
I wish so much you wouldn’t cry
the way you did today,
while thinking of the many things,
we didn’t get to say.

I know how much you love me,
as much as I love you...
And each time that you think of me,
I know you’ll miss me too...

But when tomorrow starts without me,
please try to understand...
an angel came and called my name
and took me by the hand,
it seemed my place was ready,
in heaven far above
and that I’d have to leave behind
all those I dearly love.

But as I turned to walk away,
a tear fell from my eye,
for all my life, I’d always thought I didn’t want to die
I had so much to live for,
so much yet to do,
it seemed almost impossible that I was leaving you.
I thought of all the yesterdays, the good ones and the bad...
I thought of all the love we shared
and how much fun we had...
If I could relive yesterday, just even for a while,
I’d say goodbye,
then kiss you ‘till I saw tha special smile...

But then I fully realized that this could never be,
for emptiness and memories,
would take the place of me.
And when I thought of those things,
I might miss come tomorrow,
I thought of you, and when I did,
my heart was filled with sorrow...
But when I walked through Heaven’s Gates,
I felt so much at home.
When God looked down and smiled at me,
from his great golden throne,
He said,
“This is Eternity and all I’ve promised you.
Today your life on Earth is past, but here it starts a new.
I promise no tomorrow, but today will always last,
and since each day is the same day
there’s no longing for the past...
But you have been so faithful,
so trusting and so true,
though there were times you did some things,
you shouldn’t do...
But you have been forgiven,
and now at last you’re free,
so come and take my hand,
and share my life with me.”

So when tomorrow starts without me,
don’t think we’re far apart,
for every time you think of me,
I’ll be right there
in your Heart…


Written by
Nekia Thomson (From: Inside My Own Head)





domingo, 28 de maio de 2017

A tua história

Capítulo 1

Ao olhar para a paisagem, com o cotovelo pousado na porta do carro e a mão a apoiar a cabeça, pensava no que haveria de fazer quando chegasse a casa da avó Elsa e do avô Luís, na aldeia do Porto da Raiva. Talvez falasse com a avó acerca dos meus problemas na escola e depois me sentasse com o avô por um bocado a ver programas idiotas, mas cómicos na televisão francesa. A seguir iria ajudar a avó a fazer uns deliciosos bolos de bacalhau, como só nós sabemos, ou talvez sentar-me no terraço a ver a paisagem que nunca mudava. Uma montanha imponente do lado esquerdo, com algumas casas no topo, e repletas de eucaliptos, outras montanhas se lhe seguem e no seu sopé passa uma longa e entediante estrada. À esquerda da tal estrada, mais abaixo, passa outra estrada, esta menos importante, menos usada,  ainda mais para a esquerda, existe ainda outra, de terra batida e lá ao lado, como um diamante entre o lixo e a morbidez, existe um lindo rio que rodeia a coroa daquele perpétua paisagem..... uma montanha. Parece um bocado idiota, talvez, achá-la a coroa seja do que for, mais sei que se ela ali não estivesse eu não seria a mesma, pois adoro não fazer a mínima ideia do que ela esconde debaixo de toda aquela folhagem. Nunca lá fui. E não pretendo ir e poder continuar a acreditar que há magia naquele lugar, que ela não está ali só por acaso.













PS: Para quem quer que leia isto, este é o primeiro capítulo desta história, haverá mais. E aproveito já para dizer que esta história é baseada na realidade e é dedicada à minha avó.

Um poema

Peguei na caneta,
Escrever....?
tentei,
mas tenho a alma apagada, vazia.
Pousei a caneta,
encerrei os portões do meu ser,
inspirei as lembranças
e na escuridão, uma luz;
Uma luz pura e frágil
que se desenvolve calmamente,
e forma um sol;
Ilumina o rosto de uma criança,
ilumina uma manhã de chuva,
dá conforto a um velho triste.
Um estremecer,
um movimento, que flui, suave;
Palavras,
versos,
um poema.