Bem, por muito que não queira, vou ter de me despedir de toda a gente de quem gosto, família, amigos....... e ir para um sítio que desconheço completamente.À noite quando me fui dormir, deu-me uma enorme vontade de chorar e fi-lo. Assim que olhei para o espelho da casa-de-banho, vi que estava com olheiras por ter estado a noite toda a chorar com a partida desse dia.Chorar não me adiantava de nada, até porque já tínhamos feito as malas e não podia-mos voltar a trás com aquilo que já estava decidido. A viagem de carro e de avião, acho que foi tranquila, porque com o sono que tinha dormi a viagem toda. Só me lembro de ter entrado no avião de resto mais nada.
Quando chegamos senti um leve toque no braço, era o meu pai que me chamava, o avião já tinha aterrado em Bruxelas.
Era uma cidade bonita, o único problema deste país é que era frio e chuvoso coisa que a mim não me agradou lá muito à primeira vista.
Ouvi falar principalmente duas línguas diferentes, a dos franceses e a dos holandeses. Até eu e os meus irmão nos habituar-mos, foi a minha mãe e o meu pai que trataram de nos desenrascar.
A minha mãe foi para stôra de Francês e o meu pai, para stôr de Inglês, pagavam-lhes bem, portanto a nossa vida começou a melhorar aos poucos.
A casa onde vive-mos não era muito grande, mas o suficiente para nos acolher a todos de uma forma muito agradável.
Consegui-mos, com algum dinheiro que foi posto de parte, visitar os monumentos de Bruxelas e arredores, coisa que sempre adorei fazer.
Notei que ao longo dos anos, os nossos hábitos e maneira de falar começaram a modar e às vezes até me esquecia de palavras em português.
Fiz imensos e novos amigos e dava-me bem com todos eles, mas entre todos havia um rapaz também imigrante como eu de quem comecei a gostar, o Marcus.
Ele era alto, magro, o cabelo era louro, curto e cheirava a limão; tinha uma diferença de todos os rapazes que conheci, não julgava as raparigas por serem bonitas, mas por serem simpáticas, inteligentes, divertidas.Outro aspecto que me fez gostar daquele país eram as especiarias, não eram muito diferentes das portuguesas, mas tinham um certo toque que lhes dava um paladar esplêndido.
Uma vez por ano eu e os meus pais ia-mos visitar a família de Portugal e a família de Inglaterra.
Apesar deste grande afastamento, continuava-mos a comunicar diariamente por carta e por telefone.
A casa de Bruxelas não era lá muito grande, mas proporcionava-nos acolhimento e bem estar para que não nos falta-se nada. parecia que quando tinha-mos frio a casa o sabia e ficava mais quente.
A escola que passei a frequentar, era fria, mas não me fazia diferença, porque tinha a certeza de que estava segura e senti-me bem.
Achava os professores porreiros e dava-me bem com todos.
Eles também gostavam de mim, e achavam fascinante uma rapariga que se deslocou do seu país natal, se estar a dar tão bem com esta nova vida.
Adoro Bruxelas e não quero de modo algum deixar este sítio, nem os amigos, nem a escola, nem mesmo a casa nova.
Sinto-me muito bem aqui, acho que nem em Portugal me tinha sentido tão bem, mesmo tendo toda a minha família em Portugal.
Espantoso!!!!!

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