Hoje quando acordei, sentia-me
estranha: tinha barba, estava mais alta, tinha a voz grossa e tinha o cabelo
estranhamente curto, mais cirto do que o normal. Fui para a frente do espelho e
quase gritei de espanto e de contente quando percebi que me tinha tornado no
James Bond, o meu ídolo.
Fui tomar banho, cortar a
barba que já estava a ficar grande, vesti um fato preto, uma gravata branca e
pus a tiracolo uma bela pistola. A seguir, fui tomar o pequeno almoço mais
luxuoso, que alguma vez comi.
Quando saí para ir para o carro deparei-me com uma grande
bomba: um Bentley Continental. Entrei no
carro, que era bastante confortável e que ronronava como um possante tigre, e foi
então que reparei que tinha entrado no filme que eu mais gosto do 007,
Goldneye.
Fui ao esconderijo dos Serviços Secretos Britânicos para
receber os dados da missão, que iria realizar. O
M deu-me os documentos da missão e, por incrível que parecesse, apesar de ser o
meu primeiro dia como agente Britânico, sentia-me experiente e percebi à
primeira o que devia fazer, quando estivesse em campo. Ele disse-me que
iria trabalhar com um parceiro, o Alex, e eu concordei.
Fomos de carro
até a um armazém cheio de bilhas de gás e marcamos dez minutos nos
temporizadores para pormos explosivos nos postes que sustentavam a construção e
começámos a activá-las. Até que os vilões perceberam que havia
intrusos no armazém e começou a minha parte preferida, o tiroteio. Claro
que nenhum dos tiros nos atingiu e as coisas estavam quase prontas, até que…
apanharam o Alex... Aí é que as coisas se complicaram. O pior de tudo é que
como ele não se calou eles mataram-no, pelos menos foi o que me pareceu.
Passaram-se dois
anos e eu ainda não tinha esquecido aquele infeliz acidente e sentia-me culpada
por que não tive cuidado, apesar de eu saber que o Alex era experiente no
trabalho de campo, porque eu era mais experiente.
Como sempre,
chamaram-me para outra missão, e como sempre eu compareci, mas esta missão foi
completamente inesperada.
Fui apanhada e posta num carro com uma bomba prestes a explodir,
mas como sempre consegui soltar-me.
A coisa que fez com que esta missão fosse insperada foi o
facto de o chefe dos vilões ser... o Alex, o meu parceiro, o que tinha morrido
com tiro na cabeça, no meio de uma explosão.
Fiquei espantada, porque acho que se o tivesse visto noutra
ocasião tinha ficado feliz, mas por acaso fiquei-lhe com raiva.
Depois ele apontou-me uma arma, disparou, acertou-me com
uma seta com soro para dormir e quando acordei estava num outro armazém.
Lembrei-me então que antes daquela missão me tinham dado uma caneta que se lhe pressionasse
na ponta três vezes ela rebentava.
Então com movimentos rápidos, carreguei-lhe três vezes na
ponta, atirei a caneta para junto de um poste, escondi-me e a caneta rebentou.
Só eu e o Alex é que sobrevivemos à explosão eu fui atrás
dele para o matar, mas ele fugiu. Foi para cima do telhado do armazém, ele
quase caiu, mas eu apanhei-o e disse-lhe que o que eu ia fazer era por mim,
para eu não sofrer e atirei-o pelo telhado abaixo.
Acabou tudo em bem e logo a seguir veio um helicóptero e
levou-me de volta à sede dos Serviços Secretos Britânicos.
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